Fear is winning, sadly.

Fear is driving the British out of the European Union: fear of change, fear of losing their autonomy, their identity, their sense of self.

Fear is driving the US to choose Trump as President: it is a similar fear as the one seen in the UK: fear of change, fear of losing their identity, their sense of self.

Fear drove the massacre at the Pulse nightclub in Orlando: the mad killer was afraid of gay people, he was afraid of being gay himself; fear of change, fear of losing his identity, his sense of self.

Fear drives the terrorists; fear drives the fascists who use the fight against terrorism to promote their own agenda. People are becoming afraid of life, afraid of change, afraid of the future. Out of fear, they want to flee to the past, a past that is no more and can never be again. A past when the UK was purely Anglo-Saxon, when the USA was predominantly Anglo-Saxon, when gender identity issues were hidden in the closet, away from public view. We cannot go back to the 19th Century, but people are so afraid of the future that they are clinging desperately to the illusion that we can return to that period.

Governments in Europe, in the US and in Latin America (actually, all over the world) have failed to address these fears; they have failed to educate people for managing change, they have failed to provide people with a sense of basic security and self-confidence, that would allow them to defeat such fears in themselves and in others.

In the past, “God and Country” provided the necessary feeling of security, identity, purpose, the sense of self. Today, Religion and Political Institutions are discredited: the people are sinking into fear.

We need to provide confidence in a future of integration, peace, freedom and security. For that, we must first address these fears and help people feel safe again, so that they can grow and embrace life.

Our future depends on it.

Em primeiro lugar é importante dizer que a corrupção existe em toda parte. Existe em todos os países do mundo, existe na Alemanha, Estados Unidos, em toda a Europa, no Brasil, no Paraguai, no mundo inteiro. Mas ela existe em maiores ou menores graus de intensidade, com maior ou menor frequência.

A diferença é que, no Brasil, a corrupção vem crescendo e se espalhando, vem se tornando banal. Precisamos inverter essa tendência, reduzindo a corrupção brasileira ao mínimo. Em outros países existe corrupção; mas ela acontece de forma mais discreta, mais sutil, com um certo recato. Se procura guardar as aparências: “não na frente das crianças…” No Brasil também era assim. Nós tínhamos um certo orgulho arrogante de sermos menos corruptos do que, por exemplo, o Paraguai. Ultimamente está difícil de se sentir superior nesse tipo de discussão.

O grande pecado do PT foi o de acabar com nossa esperança (ou ilusão?) de erradicar a corrupção na política brasileira. Ao invés de acabar com ela, o PT sucumbiu e se lambuzou, tanto ou mais do que os que ele criticava.

Pessoalmente, eu não desisti. Minha ideia continua sendo terminar com a corrupção.

Ou, se não é possível terminar com ela, pelo menos diminuir bastante a corrupção no Brasil. Sabendo que ela não vai terminar completamente, porque ela não termina completamente em lugar nenhum. Mas acredito que é possível reduzir bastante a sua incidência em relação ao que se vê hoje.

Se quisermos reduzir a corrupção significativamente, precisamos entender a corrupção. Não adianta lutar contra um inimigo que você não conhece, ou que você não entende. Quanto mais você entender sobre a corrupção, melhor você vai poder agir para acabar com ela, ou pelo menos para poder reduzi-la significativamente.

Pagando bem, fazemos qualquer coisa

Para entender a corrupção, vamos procurar descrever o que acontece na cabeça de quem corrompe, e na cabeça de quem é corrompido.

Normalmente é o empresário que faz o papel de corruptor. Ele se justifica dizendo que para obter uma concessão, ou para ganhar uma concorrência no serviço público, ele é obrigado a pagar uma propina a um funcionário. Isso é uma espécie de pedágio; se você não pagar esse pedágio, você não passa. Você não consegue sequer entrar na concorrência, ou que dirá ganhar a concorrência. É uma condição imposta pelo funcionário público, para que você possa pelo menos concorrer.

Eu já trabalhei com diferentes empreiteiras, e essa questão da corrupção algumas vezes foi levantada.

E se todas as empreiteiras se recusassem a pagar propina? Se todas as empreiteiras se derem as mãos e combinarem que ninguém vai pagar propina, se acaba com a propina nas obras do governo.

Um empreiteiro me disse: “é, esse pacto foi tentado já, duas ou três vezes; mas sempre aconteceu de que alguém acabava furando o mesmo e pagando a propina. E ao pagar a propina, ganhava a obra e deixava as outras na mão. Depois de duas ou três tentativas, as empreiteiras acabaram abandonando a ideia de terminar com a propina, não tem como.”

Essa é uma questão importante porque, afinal, em qualquer situação de corrupção tem que haver os dois: o corruptor e o corrompido, ou corrupto. Se os corruptores todos se negarem a pagar, não haverá mais corrupção.

E como é que fica esse processo, do ponto de vista do corrupto? Ele costuma dizer que ele detém um poder sobre um determinado serviço, assim como a prostituta tem poder sobre o seu próprio corpo, e decide se vai vendê-lo ou não. O funcionário público tem um poder sobre uma concessão, sobre a contratação de uma obra, sobre a decisão em relação a uma concorrência, e ele decide vender.

Eu já conversei com políticos que me deram essa justificativa: “Olha, é impossível a gente impedir que alguém faça isso, porque os valores são tão grandes que você não consegue convencer o sujeito de que ele deve continuar sendo honesto.” Eles alegam que quem começa o processo é o corruptor, que chega e diz assim: “olha, eu aqui ofereço para você cinco milhões de reais para colocar a minha proposta como vencedora nessa obra.”

Esse valor de cinco milhões de reais arruma a vida do sujeito. Ele não consegue resistir a essa tentação e coloca a culpa do processo na proposta que o corruptor faz. Agora, de novo, quem é que começou? Foi o funcionário público, ou foi o empresário? Foi o corrupto ou o corruptor?

Se for uma briga dentro de um jogo de futebol, cartão vermelho para os dois. Não interessa se foi um que xingou a mãe do outro, ou se foi o outro que provocou primeiro, expulsa os dois. O mesmo tratamento deveria ser dado então, na questão da corrupção. Na questão PT e o governo brasileiro, a justificativa muitas vezes é essa de que “os empresários é que corrompem, a gente não tem como segurar, mas a iniciativa é do empresário.” O empresário diz o oposto: “A iniciativa é do funcionário público.” Na verdade o que se precisa fazer é expulsar os dois, cartão vermelho para os dois.

A parte do PT neste latifúndio

Muito se falou sobre o aumento da corrupção no Brasil durante as gestões de Lula e Dilma na presidência. Será que aumentou mesmo a corrupção nesse período, ou o que vimos foi uma maior transparência, revelando o que sempre esteve lá, porém longe dos nossos olhos? Será que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal passaram a agir com maior rigor durante a gestão Dilma, expondo aquilo que Lula, FHC e todos os outros presidentes anteriores, inclusive os militares, acobertavam?

É difícil avaliar, com isenção, se a corrupção se tornou maior por causa do PT ou se aumentou apesar dos esforços do PT em combate-la. A verdade simples é que não há estatísticas fidedignas à respeito; e a maioria dos ditos analistas políticos estão a soldo ou do PT ou de facções contrárias ao PT. Imparcialidade se tornou algo cada vez mais escasso no País.

Minha observação pessoal é de que a corrupção vem se alastrando e se intensificando no Brasil, gradativamente, desde o tempo dos governos militares do Movimento de 1964. Naquela época circulavam boatos de corrupção ligada ao Coronel Mário Andreazza, Ministro dos Transportes. Segundo esses boatos, as empreiteiras pagavam propinas para participar de obras de estradas. Falava-se, também, que a instituição do seguro obrigatório de veículos havia sido direcionada através de uma corretora de seguros de Novo Hamburgo, cujo sócio era parente do ministro.

Quero marcar apenas o ponto de que havia, sim, corrupção durante os governos militares. É possível que ela acontecesse em menor escala do que antes, mas sem dúvida existia.

Depois das “Diretas Já,” Fernando Collor de Mello se elegeu com uma plataforma de crítica aos políticos corruptos, que ele chamava de “marajás.” O que se viu, na prática, foi um nível de corrupção maior ainda do que aquilo que havia até então. Os empresários voltavam de Brasília chocados com a exigência de pagar propinas para Paulo César Farias se quisessem participar de qualquer licitação pública. A corrupção subiu de patamar.

No nível estadual, em São Paulo, Orestes Quércia elevou ainda mais o patamar da corrupção ao exigir 10% de propina sobre quaisquer licitações públicas. Os empresários comentavam, chocados, dois aspectos: (a) o percentual era mais alto do que nunca (se considerava até então que desviar 1% ou 2% de um grande contrato para os políticos e funcionários envolvidos era algo discreto, aceitável e fácil de disfarçar; desviar 10% era escancarar a corrupção, não havia como disfarçar); (b) a propina se tornava generalizada, incidia sobre todos os contratos públicos e isso não era mais falado em sigilo.

Na gestão FHC a corrupção era mais discreta. Não se falava abertamente a respeito. Entretanto, ela voltou a aumentar em valores e frequência quando se votou a emenda constitucional que permitiria a reeleição do Presidente. Nasceu naquela época a expressão “fisiologismo político”, pois os governistas compraram os votos necessários no Congresso e os políticos de diferentes partidos (e especialmente do PMDB) colocavam suas necessidades fisiológicas (dinheiro) acima da ideologia partidária, vendendo votos ao maior pagador.

A situação piorou, mais uma vez, no Governo Lula, porque a corrupção se institucionalizou através da criação do “mensalão.” Ao invés de cobrar propina por projeto, foi instituída a contribuição mensal de propinas dos empresários para os partidos do governo. Esse foi um marco importante na aceitação da corrupção como parte da cultura nacional; mas notem que o PT não criou isso do nada; isso foi uma etapa “natural” na evolução da corrupção no País. O PT não inventou a corrupção, mas tornou-a sistêmica, organizando e estruturando o processo. O PT também “socializou” a corrupção, distribuindo as propinas entre um maior número de participantes. Para garantir uma base de apoio mais ampla, o PT ampliou o número de beneficiários das propinas.

Dois outros fatores contribuíram para um aumento da corrupção nos governos do PT: (a) o partido adotou uma estratégia de aumentar significativamente o número de “cargos de confiança” na administração pública. Até então, milhares de cargos de chefia e direção eram ocupados por funcionários públicos de carreira; ao transformá-los em “cargos de confiança” eles passaram a ser ocupados por nomeações políticas, por pessoas vinculadas ao PT e que teriam uma passagem transitória por esses cargos. Isso criou uma cultura de “vou roubar o máximo possível enquanto puder, nesse pequeno tempo em que tenho acesso aos meios para obter propinas do setor privado!” (b) o PT designou para esses cargos de confiança pessoas despreparadas (mas leais ao partido). O despreparo visível dos incumbentes contribuiu para a cultura do “roubar enquanto posso,” pois já que não tinham preparo, certamente essas pessoas ficariam desempregadas quando outro partido subisse ao poder.

A ascensão de Dilma, por outro lado, representou uma força moralizadora. Embora ela fosse visivelmente incompetente para exercer a Presidência da República, ela era também visivelmente mais honesta do que Lula e todos os componentes da cúpula partidária. No seu primeiro ano de governo, Dilma exonerou vários ministros acusados de corrupção e endossou processos contra diversos funcionários acusados de crimes, mais do que qualquer outro Presidente. Parecia que, agora sim, a corrupção diminuiria, graças a uma gestão mais íntegra de Dilma.

O caldo entornou na campanha para as eleições de 2014. Disseminou-se ainda mais a compra de apoio político e de votos. Assim como a aparência de integridade de FHC havia caído quando da campanha para sua reeleição, agora a aparência de integridade de Dilma caía também, diante da necessidade de se reeleger a qualquer preço.

A corrupção foi tão grande e tão generalizada, que deu margem a manifestações públicas contrárias. Ao mesmo tempo, revelou-se a incompetência do PT na gestão de uma situação econômica mais difícil. Isso ocorreu não apenas no âmbito do Governo Federal, mas também nos governos estaduais e municipais, expondo um binômio “incompetência-corrupção” ligado ao PT.

É claro que isso existe também em relação a outros partidos; todavia, o PT mostrou-se incapaz, em 2014 nas campanhas políticas, e em 2015 nas gestões pós eleições, de administrar a economia e o quadro político para engajar as elites e o povo como um todo.

Diziam os romanos que “a mulher de César, além de ser honesta, precisa parecer honesta.” Dilma fracassou em parecer honesta, prejudicada pela deterioração da imagem geral do PT. Diante das acusações frequentes de corrupção, o PT reagiu muito mal, com um simples “sou, mas quem não é?” Em outras palavras: “corrupção, no Brasil, não é motivo para críticas ou impedimento de governar, pois a corrupção existe em todos os partidos e em toda a sociedade brasileira.”

Ora, essa afirmação, embora verdadeira, colocou a classe media diante de uma encruzilhada crucial: devemos aceitar a corrupção como parte inevitável da nossa cultura, ou devemos combate-la em todas as frentes, na política e no dia-a-dia? Pelo que se viu em 2015 e 2016, a maioria das pessoas optou pelo combate à corrupção. Mesmo com contradições e inconsistências, essa se tornou uma postura mais aceitável do que a alternativa proposta, que parecia ser: vamos aceitar a corrupção como parte inerente à nossa cultura, pois é impossível acabar com ela.

Colocar as coisas em termos absolutos, em termos de: “ou preto, ou branco,” é uma postura mais típica das culturas “de Competição,” como EUA e Inglaterra. É uma postura arriscada, pois as pessoas podem escolher justamente o oposto daquilo que o proponente pretendia. Se algum marqueteiro político, influenciado pelas práticas americanas, aconselhou o PT a respeito do assunto, acabou prejudicando ao invés de ajudar. Independente de preferencias político-partidárias, vejo a rejeição à corrupção como algo positivo para a sociedade brasileira. É preciso, contudo, que o combate à corrupção não se torne uma coisa seletiva, direcionada apenas contra certos segmentos sociais, ou partidários, poupando outros. Todos os corruptos e corruptores devem ser processados e punidos.

Evitando a volta para o futuro

Como é que se evita que a corrupção volte a crescer no futuro? Em primeiro lugar, precisa haver uma legislação efetivamente severa, que puna os implicados duramente, que demonstre que a consequência da corrupção ser descoberta seja tão negativa, que isso se torne um incentivo para que as pessoas não se envolvam nisso. Este é um aspecto importante, mas isso não é o suficiente.

Um outro aspecto é acabar com a situação que gera a corrupção, ou seja, se existem funcionários públicos que detêm um poder muito grande para decidir uma licitação, então é preciso acabar com esse poder concentrado.

É preciso haver normas sobre as licitações que sejam totalmente transparentes, de tal forma que não seja possível fraudar.

Sem dúvida a diminuição do tamanho do Estado, por si só, já diminui a tentação da corrupção e as oportunidades de corrupção. E é por isso que nos países que têm estruturas governamentais descentralizadas e onde o Estado tem um tamanho menor dentro da economia, nessas culturas existe menos corrupção; é simplesmente por isso.

Quando a cultura favorece a corrupção

Existem fatores culturais que favorecem a corrupção.

Que fatores são esses? Vejamos as cinco dimensões de valores culturais: a Distância de Poder (DIP), o Individualismo (IDV), a Orientação para o Desempenho (DES), o Controle da Incerteza (CDI) e a dimensão de Flexibilidade versus Disciplina (OLP). Diferentes culturas podem ter um score maior ou menor em cada uma dessas cinco dimensões; e esse score sendo maior ou menor, ele favorece mais a corrupção ou não.

Por exemplo: em termos de Distância de Poder, quanto maior ela for, quanto mais concentrado o poder, quanto maior o respeito à hierarquia, maior será também a corrupção e maior a transgressão (mais frequente). Numa sociedade em que existe grande respeito à hierarquia, significa que se respeita a figura da autoridade do outro, mas não a lei. Na ausência da figura da autoridade, quando o policial não está presente, eu me sinto à vontade para transgredir. Por quê? Porque o controle não está em mim; o controle está no outro. Eu vejo a necessidade de respeitar, não a lei, mas respeitar a hierarquia e a presença da figura de autoridade.

Nas sociedades de alta Distância de Poder, o poder está concentrado, e o poder concentrado é que acaba favorecendo a corrupção. Isso acontece porque a relação hierárquica entre as pessoas é considerada mais importante do que a lei em si. Se o meu chefe manda, eu faço; mesmo que seja contra a lei. A lei não se aplica aos poderosos, pois eles têm direito a privilégios que os colocam acima da lei.

O que acontece quando eu estou preso no engarrafamento e não vejo nenhum guarda por perto? Eu fico numa situação em que eu estou igual a todos os outros, mas o meu instinto hierárquico busca uma alternativa em que eu consiga ter mais poder do que os demais. Se eu sair pelo acostamento, vou chegar antes dos outros e mostrar que eu posso mais.

Individualismo ou Coletivismo?

A dimensão seguinte é a do Individualismo versus Coletivismo. No Individualismo, eu assumo responsabilidade individual e eu considero isso mais importante do que demonstrar fidelidade a um grupo, que é o Coletivismo.

Numa sociedade coletivista o que se quer não é o bem comum. O que se quer é o bem do meu grupo, e os outros grupos que se explodam. Então vem aquele famoso ditado “para os meus amigos, tudo; para os demais, os rigores da lei.” A lei só é aplicada para os outros, para os meus amigos não se aplica.

Se eu faço parte de um partido corrupto, eu denuncio as tentativas de processar a mim e aos meus amigos. Considero que essas tentativas são intrigas da oposição. Eles devem cumprir a lei, mas os meus amigos estão acima da lei.

A terceira dimensão é a questão de Orientação para Desempenho versus Orientação para Qualidade de Vida. Essa não é uma dimensão que tenha influência específica sobre a questão da corrupção e das transgressões, vamos deixar essa de lado.

Controle da Incerteza

A quarta dimensão, que é o Controle da Incerteza, tem influência no seguinte sentido: as sociedades que têm alto Controle da Incerteza costumam dar uma ênfase muito grande para a legislação. Elas acham que devem haver leis para tudo, como uma tentativa de acabar com a incerteza de não haver leis suficientes que esclareçam o que é certo ou errado. Ocorre que esses países não seguem essas leis. Fazer leis é uma coisa, obedecê-las é uma coisa diferente.

Se as leis que já existem não são cumpridas, fazer mais leis não vai mudar nada na situação. Isso é apenas uma forma de desviar a atenção do fato que existe impunidade. A impunidade ocorre porque não se cumprem as leis existentes e não porque é preciso mais leis.

A questão não se resolve com o comprimento da lei e sim com o cumprimento da lei.

Flexibilidade ou Disciplina?

O que muda a impunidade é aquilo que está vinculado à quinta e última dimensão, que é a Flexibilidade ou Disciplina. Quando o score é baixo existe disciplina. Nesse caso, a sociedade é normativista. As normas são consideradas absolutas, e a sociedade valoriza a obediência às normas e valoriza a autodisciplina: “eu obedeço a norma, mesmo quando não há um guarda por perto”; “eu obedeço a norma, mesmo que ela prejudique os meus amigos, ou a minha família”; “eu obedeço a norma porque eu assumo responsabilidade individual por obedecer a norma.”

Quando o score é alto, a sociedade considera que a aplicação da norma precisa ser cuidadosamente pensada em função da relatividade da situação específica. Deve-se prender quem passou o sinal vermelho? Depende, tudo é relativo. Depende de quem é essa pessoa que passou no sinal vermelho. É uma figura importante? Então talvez não se deva prendê-la, mas apenas adverti-la. É alguém que estava correndo de carro para socorrer outro que estava passando mal? Então isso tem que ser considerado.

Nas sociedades normativas o sujeito é multado independente do motivo pelo qual ele fez a transgressão. Nas sociedades relativistas e flexíveis, se examina a situação para definir se a norma deve ser aplicada ou não.

Quanto maior o score, mais flexibilidade, maior o relativismo. O problema é que esse relativismo acaba dando espaço para que se tolerem situações de transgressão, para que se tolerem situações de corrupção. Se acaba permitindo que essas coisas aconteçam, porque elas envolvem os meus amigos, porque elas envolvem uma pessoa importante, porque havia uma circunstância qualquer que justificava a transgressão, E começa a ficar mais difícil de discernir se a justificativa realmente era válida ou não.

Ocorre que o Brasil tem um score alto, um score que é quase o dobro do score da Alemanha, ou dos Estados Unidos, por exemplo. Isso significa que nós somos duas vezes mais flexíveis do que os alemães, ou os americanos, mas significa também que essa flexibilidade pode acabar servindo para endossar o jeitinho, para endossar a corrupção, para endossar a tolerância às transgressões de normas em todos os níveis.

O mecanismo é o mesmo, só varia de intensidade. O mecanismo está suportado por essa questão de relativismo, ao invés de normativismo; flexibilidade excessiva, ao invés de autodisciplina.

Como mudar

Como é que se resolve tudo isso, numa sociedade como a brasileira?

É preciso trabalhar na educação, e na educação não apenas no sentido de escolaridade, mas na formação de valores.

Uma cultura nacional se forma nos primeiros dez anos de vida. É nessa fase que as crianças aprendem a noção de certo e errado, do que que é considerado aceitável e o que não é aceitável. É nessa idade que se forma o que Freud chamou de superego, aquilo que Eric Berne chamou de ego parental, ou estado parental do ego, em termos de Análise Transacional. É nessa idade que se formam os valores e esses valores se formam em função da observação do comportamento dos adultos. A criança observa aquilo que os adultos fazem e ela age de acordo com aquilo que ela observa, muito mais do que por aquilo que os adultos dizem.

A criança aprende rapidamente que o que ela ouve não é tão importante, o importante é o que ela vê, o que ela enxerga, a maneira como os outros se comportam. E ela aprende isso primeiro em casa, ao observar a sua família, seus pais, os seus tios. Ela aprende com a comunidade à sua volta. Por último, ela vai aprender isso também na escola.

Tudo isso vai formando o caráter, os valores de uma criança, e os valores de uma comunidade e a cultura de um país como um todo. Se nós quisermos que o Brasil mude em relação à corrupção, nós precisamos começar a nos comportar de maneira diferente, diante dos nossos filhos e netos e sobrinhos, diante das nossas crianças. Nós precisamos ensinar esses valores de não-tolerância às transgressões, de maior igualdade, de maior responsabilidade individual, de maior cumprimento das leis. Nós precisamos ensinar isso através dos nossos atos, em casa, no bairro, na escola, em todas as situações.

Se nós conseguirmos fazer isso, daqui a vinte anos nós teremos uma cultura diferente. Não é uma coisa que se muda de uma hora para outra, mas também não é uma coisa que então se deva abandonar ou deixar de fazer. É preciso que se comece logo.

Dizem que alguém observou uma pessoa plantando uma árvore e o observador disse:” você está plantando essa árvore, mas vai levar vinte anos para essa árvore crescer, dar frutos e propiciar sombra.” A pessoa que estava plantando disse: “é por isso mesmo que eu resolvi plantar ela hoje e não esperar até amanhã”.

Mudar a cultura é um processo de longo prazo. Por isso, nós precisamos começar imediatamente. O quanto antes, melhor. Sabendo que alguns efeitos vão surgir em prazos mais curtos, mas não vai se ver diferença em menos de dois ou três anos, por exemplo. Esse é um processo que vai devagar, mas é um processo que é tão importante, que precisa começar imediatamente.

Pode ser útil imaginar as discussões políticas no Brasil, de maneira perigosamente simplificada, em termos de três dimensões. Imagine uma caixa de vidro transparente, na forma de um cubo perfeito, com 10 cm de altura, largura e profundidade.

A primeira dimensão é a altura e ela corresponde ao dilema entre Honestidade (na parte mais alta, com medida “10”) e Corrupção (na parte mais baixa, com medida zero).

A segunda dimensão é a largura e ela corresponde ao dilema entre atender aos Pobres (na esquerda, medida zero) e atender aos Ricos (na direita, medida “10”).

A terceira dimensão é a profundidade e ela corresponde ao grau de Competência (medida “10”, no lado posterior do cubo) ou Incompetência (medida zero, no lado anterior do cubo).

Vejo o PT, em meados de 2016, no canto esquerdo, mais baixo e mais anterior dessa caixa de vidro. Sem dúvida o PT está tomado pela corrupção (infelizmente). Se mostrou incompetente para governar e administrar a economia, por diversos motivos internos e externos. Entretanto, o PT segue se declarando a favor dos interesses dos Pobres (o eixo da largura dessa caixa), embora os críticos localizados no PSOL , no PSB e na Rede talvez dissessem que o PT não está no lado “zero” dessa dimensão, pois fez concessões demais ao lado direito (o interesse dos Ricos); talvez esses críticos dissessem que o PT está no marco 4, 5 ou 6 essa dimensão, se aproximando demais do DEM, do Caiado e do Bolsonaro, que representariam os marcos 9 ou 10.

Pois bem, o que a classe média quer, em resumo, é um governo que seja mais honesto e mais competente, posicionado mais para cima (Honestidade) e mais para o fundo (Competência) nessa caixa. Onde o pessoal se divide, no entanto, é ao discutir até que ponto o governo deve ficar mais à direita (Ricos) ou mais à esquerda (Pobres) em meio a essas três dimensões.

Minha própria posição é que o governo deve ser 10 em Honestidade e 10 em competência; em termos de interesses dos Ricos versus Pobres (sim, eu sei, isso é uma simplificação muito grosseira) eu fico com o marco “4”; mais para a esquerda do que para a direita da caixa. Precisamos de uma sociedade mais justa, que atenda aos interesses dos mais pobres; mas sem desconsiderar totalmente os interesses dos mais ricos, para não excluí-los do processo político. Quando o governo pende demais para esse lado esquerdo, termina por alimentar uma guerra de classes e isso tende sabotar o processo como um todo. Um governo que se posiciona contra as elites, de forma antagônica, não consegue se sustentar a longo prazo. Vide Argentina e Brasil. Breve também na Venezuela, Bolívia e Equador.

É uma brasa, mora

Diferentes grupos puxam a brasa para a sua sardinha, num jogo constante. O risco é apagar o fogo, de tanto mexer na brasa para um lado e para o outro.

Quando se acusa o PT de corrupção, todo mundo concorda e puxa a brasa para cima, querendo um governo mais honesto. O PT, infelizmente, nessa hora só teve como defesa o velho argumento de que “Não somos os únicos! Cadê os outros? Não condenem apenas a nós, é preciso acusar e condenar os outros também!”

É claro que todos os políticos, do Aécio ao Temer, se apresentam como sendo mais Honestos; entretanto, a maioria deles (e certamente os recém citados) se localizam, de fato, na parte de baixo dessa dimensão. Poucos são os que se localizam na parte mais alta. Precisamos promover esses poucos a verdadeiros modelos para o que exigimos daqui em diante.

A revolta contra Michel Temer e seu ministério é justamente por que não atendem ao quesito Honestidade. Podem ser mais Competentes (talvez), mas deixam a desejar (demais!) em termos de Honestidade.

Como o País diverge muito na dimensão horizontal Ricos versus Pobres, o consenso é mais difícil nesse aspecto. Se o Temer se posiciona como “5”, apanha de Bolsonaro e Caiado, de um lado, e apanha também de Luciana Genro e Luiza Erundina, do outro lado.

Eu também bato no Temer, mas muito mais por ele ser “zero” em Honestidade do que por ser “5” em termos da atender mais aos Ricos do que aos Pobres. Talvez ele seja mais competente do que a Dilma (não é difícil), mas isso não deveria ser suficiente para livrá-lo de impeachment e perda dos direitos políticos.

O importante é se considerar que a escolha de nossos governantes não deve se basear apenas em uma dimensão (“sou a favor do PT porque eles defendem os pobres”). Para governar de novo, o PT precisa melhorar a sua Competência e a sua Honestidade; caso contrário, não passa.

O mesmo vale para todos os candidatos de todos os partidos: podemos divergir em termos de direita e esquerda, atender aos Pobres ou atender aos Ricos; mas precisamos exigir Competência e Honestidade como condições mínimas para jogar o jogo político. A falta dessas condições é o que derrubou o PT. É claro que a direita se aproveitou disso, para promover seus próprios interesses.

Entretanto, de nada adianta ao PT (e nem aos outros movimentos de esquerda) se promover apenas pela ideologia. Sem Honestidade e Competência, a coisa não vai. Portanto, tratemos de aparelhar melhor a esquerda nesses quesitos. Aí sim, a discussão política pode ficar interessante. E continuemos sendo intolerantes com os incompetentes e desonestos de qualquer ideologia.

Glenn Greenwald’s response to Christiane Amanpour’s question on CNN went viral but, believe me, he missed the point. Most foreign journalists covering the Brazilian political situation are being swept away by the romantic story being fed to them by the Labor Party (PT) spin doctors: it reads like a Hollywood script, telling how a humble factory worker became a union leader fighting against evil capitalists, then was elected President and raised 30 million people out of poverty.

Such a great movie naturally generated a sequel and in “Lula 2: The Successor,” we see that our hero manages to elect as successor the first woman President in Brazil; just as that happens, he is diagnosed with throat cancer and needs to distance himself a bit from politics as he battles the disease. He wins the fight for his health and returns to the political scene just in time to campaign again for his protégé Dilma and get her re-elected. Another “box-office hit.”

In “Lula 3: The Empire Strikes Back,” the evil capitalists file a motion to impeach President Dilma, and they accuse our hero of corruption, threatening to put him in jail. The press, manipulated by the evil rich, turns against him and his fellow PT freedom fighters. In the best Hollywood tradition, the story reaches its climax in… a trial scene! Dilma will be tried at the Senate, in a session presided by Donald Sutherland.

Actually, reality is more like a French movie. Basically, because French movies are more like reality. The Brazil story is full of nuances that go far beyond “bad guys wear black hats, good guys wear white hats.” I’m sure Greenwald knows that, but he chose not to show it on TV.

First, the prequel

When PT was born, and Glenn Greenwald was 13 years old, it came from the broad political movement of democrats who opposed the existing military government (1964-1985). As the military began the slow (and successful) transition towards democracy, they tolerated left-wing political parties to be formed and previously illegal ones (like the Communist Party) to become legal again. Eight years after the birth of PT, PSDB (Brazilian Social Democratic Party) was formed, founded by some center-left politicians and intellectuals who felt that ideology was more important than simply “criticizing the Government, whoever is in Government.” When you look at the political programs of both PT and PSDB, they were extremely similar. To this day, they remain very much alike.

There is a photo that has gone viral showing Lula and Fernando Henrique Cardoso (FHC) together in the 70’s, distributing pamphlets on the streets of São Paulo. These guys were colleagues, they respect each other. Yet, what sets them apart is also behind what is really going on in Brazilian politics 40 years later.

PT was formed as a labor union party. It was joined by many artists and a few intellectuals, who were all left-wing thinkers and gathered around the only left-wing existing political party at the time. The challenge the party had to face was to get better qualified people to join their ranks. They had great ideals but no political experience and no public administration experience. Their Achilles’ heel was lack of management competence.

When PSDB was formed, that dealt a blow to PT’s aspirations. These guys formed their own separate party, instead of joining their former colleagues. What is worse: PSDB was formed by actual politicians with experience, joined by some intellectuals and businessmen.

What PT lacked, PSDB had in spades: qualified people with leftist ideals, but who could easily interact with politicians from all sides of the spectrum and who had connections with business leaders that sympathized with their cause. PSDB leaders spoke of equality and power to the people, but they wore suits and ties. PT leaders did not own ties. PSDB leaders were articulate, they published books, they spoke like academics, using fancy language. PT leaders had dropped out of high school and could barely write a single paragraph without spelling and grammar mistakes.

The divisive issues

That is the underlying theme separating PT and PSDB: education. There is a mutual contempt that runs deep in Brazilian culture, rooted in childhood. PSDB is proud of the fact that they are well-educated, elegant, and accepted in elite social circles. PT resents that intensely, so they turn it around and declare that they are actually proud of not having “an education”, not speaking fancy words and never knowing how to use cutlery in a proper way.

PSDB was (and still is) a comparatively small political party, in numbers. In a country where 92% of the population “are not able to express themselves correctly in their native language”, most of the party’s leaders came from the 8% who can read and write almost perfectly. PSDB’s Achilles’ heel was its small size. They would never even aspire to win an election on their own. So, they played the “middle of the road” game: they courted the Right and they courted the Left. In terms of ideology, they were closer to the left; but their personal attire and habits brought them closer to the right-leaning elite (the “plutocrats”, according to Greenwald).

Lula and FHC personally tried to bring their parties to form an alliance, but the people at their respective grass roots level would not have it. There was too much mutual resentment and those feelings were growing. When FHC became a Minister of the Treasury, the resentment increased. Now these fancy-pants were part of Government (something that was never a possibility for PT members, as they distanced themselves from other politicians and moved further to the left). FHC called on his technically competent finance friends to join him; they hatched the “Real Plan” that ended inflation, and that catapulted him into the political landscape as a candidate to become President. Turning insult into injury, FHC won the election by a landslide. PT took the role of disgruntled ex-spouse and led the opposition. During their 12 years as an opposition party, PT filed a total of fifty (count them!) impeachment claims against the President (whoever it was at the time). That means more than one every quarter. Is that “trifling with Democracy?”

Flash forward to the present

The lack of qualification in PT’s ranks finally caught up with them. They did invest a lot in trying to educate their own members, and they should be commended for that. However, the gaps were too large and their efforts insufficient. Since Brazil is a culture that values relationships and loyalty, PT adopted in Government a strategy designed to keep them in power permanently: they increased public administration jobs by 40% (not including the jobs in state-owned companies) and created 18 new ministries (from 21 under FHC to 39 under Dilma), using the thousands of jobs that came along with this as currency to buy political support.

Corruption has always existed in Brazil. Also, we have a long tradition of nepotism. Under PT, all this was taken to unprecedented levels, reaching a point when it all went overboard.

In the political campaign of 2014, to re-elect Dilma, PT engaged political marketing strategists who apparently copied the worst side of American politics. They decided to imitate Nixon’s “culture wars” approach and spoke of a “social classes war” between the rich and the poor. PT, of course, was portrayed as being “the only ones who are defending the poor”; everybody else was described as being “supported by the evil rich.” On top of that, they started a smear campaign in the best American tradition. PSDB, instead of avoiding the trap, fell into it head on: they responded with an equally aggressive approach. Soon, all both sides were doing was bad-mouthing their opponents. Nobody was talking about their plans for the Country; they were just telling voters what scumbags their opponents really were.

Dilma won by a narrow margin, too close for comfort. The voting, on both sides, was not so much about supporting Dilma or Aécio Neves (the opposition candidate); it was more about who do you hate the most: if you hate Aécio and what he represents, vote for Dilma; and if you hate Dilma and PT and what they represent, vote for Aécio. It was a close call favoring Dilma.

Because of the aggravation built up during the campaign, PT were bad winners and PSDB were sore losers. It became difficult (if not impossible) for Dilma to rise above it all and propose a “non-partisan administration for all the people.”

Beaten in the ballots, and still smarting, the opposition decided to go to court, once again imitating the wrong side of the American model (if you lose an argument, sue the other guy). At first, PT leaders used the defense strategy of bluffing it: “they don’t have a case against us, they cannot prove any of their accusations.” The problem is: since they filled thousands of jobs with loyal but incompetent partisans, after 12 years the lack of quality started to show. Having to cope with the decrease in demand from China and with a stagnated global economy, government officials were not up to the task. The economy tanked and went into the deepest recession in the past fifty years, just when Government was under attack.

A perfect storm

The increase in politically appointed jobs carried with it wide-spread corruption. People knew that they were not competent enough to keep their jobs once a different politician took office; so they decided to make the most of it while they could. They indulged in “binge bribe-taking”, in the same way the British reacted when Government imposed shorter opening hours for pubs: they simply drank more in less time and got wasted faster. This became common behavior in public administration (the bribes, not the drinking), not only for PT and their supporters, but for all political parties that were occupying the numerous additional jobs created in the past 12 years. People stopped being discrete about it and began demanding bribes somewhat openly.

All this gave the opposition a lot of ammunition, and suddenly they did have proof to support their accusations. The accused threatened to “go down shooting” and “taking my accusers with me”. For every accusation, there were plea bargains implicating other people, including some prosecution witnesses. A senior businessman declared, when accused of bribing politicians (which he alleges he was forced to do): “they will have to build a bigger jail, including cells for myself, Dilma and Lula.”

In Brazil it’s safe to assume that 15% of voters are on the Left and 15% are on the Right, with the “silent majority” of 70% trying to stay away from politics; they just want to get on with their lives. They do criticize corrupt politicians and blame them for all their woes. So when polls show that 70% of voters want Dilma out, that is basically because the economy is going bad and they want all corrupt politicians to be punished. It’s not because they are supporting the Right; they are supporting “the right thing” and there is a big difference. Surely even Amanpour and Greenwald should be able to see that.

Does Dilma deserve to be impeached? Strictly speaking, yes. She deserves it more than Nixon did, if you want to compare the two. She did deeds that go against specific Brazilian legislation in terms of balancing the national budget. However, she is not accused of taking bribes or of corruption. On the other hand, can you believe that she did not know what was going on, when everybody else knew? And can you really accept the argument that “if everybody else is doing it, then it’s not a crime?”

Relatively speaking, it’s a different story. When Dilma was a young Communist in a subversive cell, she was in charge of the money. She was given that role because she was honest and reliable. She played a similar role throughout her whole political career: she has always been charged with roles that require honesty above average. It certainly seems unfair that she might be punished for shoplifting when everybody else in her gang is charged with armed robbery and extortion, including some of her accusers. A benevolent judge might look at the whole situation and dismiss the accusations brought against her. However, under the cold letter of the law, shoplifting is still a crime; and she cannot say that she did not know about the robberies committed by her companions.

Lost in Translation

The majority of the population are against corrupt politicians, even if they are also guilty themselves of petty transgressions almost on a daily basis. The Right, of course, is capitalizing on that. When the people shout “out with Dilma!” the extreme right adds: “and bring back the military!” In fact, less than 15% want the military to come back into power. Even the military don’t want to come back into power. They are not that stupid.

The extreme Right and Left are more vocal, and they are spinning their versions to the press. Most people are simply supporting the prosecution of corrupt politicians, regardless of political parties.

Looking at the situation from a foreign culture perspective, it’s easy to get the wrong idea. For instance, there is this notion that “democracy is under threat.” Well, what democracy are you talking about? Basically, when journalists talk about Democracy, they have their own countries in mind. They are thinking that it’s about having two big parties in perpetual battle and alternating in power (US and UK), or having clear ideological stances (France). They also think that elected officials should be left alone to carry out their mandate until a new election comes up.

In the Brazilian culture, conflicts are avoided on a daily basis because, when they happen, they get out of hand. People get offended and lose respect for each other. They don’t want to wait another four years. Besides, democracy is not just about elections; it’s about constant debates, referendums and voting bills representing government policies. To calm down the opposition and counter the calls for her impeachment, Dilma should have negotiated a broad pact with political and business leaders. The problem is that negotiation is not her forte. Eventually she became isolated, even within her own party.

When foreigners watch Dilma and Lula on TV or when they read about them in the press, they miss an important aspect: they are reading and listening to translated versions of what both of them have said. This actually makes a big difference, because Dilma is a bit dyslexic and she communicates in a very confusing way. She often goes on a tangent mid-sentence, her mind getting ahead of her words. This is very annoying to the Portuguese speaker. Imagine George W. Bush, only more confusing.

Lula, unfortunately, is even worse. His native language skills are appalling; he has terrible diction, speaks with a lisp, his grammar is obscene and he swears every three sentences. Imagine Sarah Palin speaking like a pornographic rapper, but with the social skills of Kanye West. None of that appears in translation, so foreign ears only get the sanitized version.

Still, using fowl language is not a reason for getting impeached or going to jail; but it does add to the negative image that is currently depicting these two formerly popular figures.

You could also argue that Dilma has been caught in the crossfire; the real targets were Lula and PT. Anyway, the impeachment process, as it stands, is hardly “a threat to democracy.” In fact, the whole process is strengthening Brazilian political institutions. Due process is being observed every step of the way. The actual trial, if there ever is one, has not even started. If you want to talk about a “coup d’etat” in disguise, talk about what happened in Paraguay, with the open support of the US Government: an impeachment claim was filed and approved in 24 hours, literally ousting the incumbent overnight. It happened so fast that Christiane Amanpour missed it during her coffee break.

É comum falar de distribuição de renda no Brasil. Não há dúvida de que a renda no País está bastante concentrada no topo da pirâmide social. Meu propósito neste texto não é o de aprofundar a análise estatística desse fenômeno e sim lançar um olhar sobre alguns aspectos da psicologia social dos diferentes grupos que constituem a população brasileira. Proponho que se faça isso usando uma linguagem coloquial e que esse olhar seja o menos acadêmico possível, de tal forma que, como disse o Dilbert, personagem dos quadrinhos de Scott Adams, “até um cara de Marketing possa entender o que você está dizendo.”

Falemos, portanto, de pessoas com renda baixa, média e alta. Para dar uma definição operacional um pouco mais precisa a esses termos bastante gerais, esclareço que no ambiente deste texto, “população” se refere às pessoas que, no Brasil, têm mais de 23 anos de idade e menos de 65. Uso esta definição para permitir algumas classificações de grupos e algumas comparações. É sabido que o Brasil carece de estudos estatísticos que utilizem critérios comuns entre si, fato que acaba prejudicando muitas comparações. Sempre no ambiente deste texto, “renda baixa” significa todos aqueles cuja renda mensal é inferior a três salários mínimos, ou seja, cerca de R$2.200,00. Defino “renda média” como sendo de três a seis salários mínimos, ou seja de R$2.201,00 a R$4.400,00 por mês. Finalmente, “renda alta” é aquela que supera R$4.400,00 mensais. Poderíamos ter discussões infindáveis sobre os critérios de definição desses limites, mas peço que se deixe isso de lado, por enquanto.

Usando os critérios propostos, tomo a liberdade de apelidar o grupo de renda mais baixa: “proletários.” Sei que a patrulha do politicamente correto vai me perseguir do Oiapoque ao Chuí pelo uso do termo, mas vamos em frente. Chamo o grupo de renda média de “remediados” e o grupo de renda alta de “afluentes.” Mais importante do que discutir esses rótulos é olharmos para a distribuição de frequência da população nesses três grupos.

Vejam que temos cerca de 60% da população brasileira (de 23 a 65 anos) entre os proletários; 30% são remediados e 10% são afluentes. Vejam que, se você ganha mais de R$4.400,00, já é “afluente,” embora talvez você se considere “classe média” e os sociólogos de esquerda o considerem “rico.”

Vamos adiante. Muitos dizem (e eu sou um desses) que os problemas sociais do Brasil se resolvem através da educação. Pois bem, a distribuição do nível educacional segue a mesma lógica da distribuição de renda. Ou seja: a educação está também bastante concentrada. Se dividirmos a população (sempre de 23 a 65 anos) em “ignorantes” (aqueles que não têm sequer o secundário completo); “educados” (aqueles que completaram o secundário) e “intelectuais” (aqueles que completaram o curso superior), a distribuição é assustadoramente semelhante à classificação de renda adotada acima no texto. Segundo o IBGE, em 2012 tínhamos 59% de ignorantes, 29,7% de educados e 11,3% de intelectuais.

E se cruzarmos essas duas formas de examinar a população economicamente ativa, temos uma matriz 3 x 3, com nove células. Essas matrizes de nove células são muito utilizadas em empresas, mas menos empregadas no mundo acadêmico.

Ao lançarmos nosso olhar sobre o Brasil utilizando como prisma essa matriz de nove células, temos diante de nós um quadro deveras dramático. A distribuição encontrada é mais ou menos a seguinte (cometi vários arredondamentos, mas a precisão estatística não altera as conclusões que pretendo expor em seguida): na primeira coluna da matriz, 39% dos brasileiros (de 23 a 65 anos) são ignorantes proletários; 18% são ignorantes remediados; e 2% são ignorantes afluentes.

Olhando para a segunda coluna dessa matriz, vemos que 18% são educados proletários; 9% são educados remediados; e 3% são educados afluentes.

Na terceira coluna, vemos que 2% são intelectuais proletários; 3% são intelectuais remediados; e 6% são intelectuais afluentes.

Conclusões para começo de conversa

Estamos diante de nove Brasis, ao olharmos para esses nove grupos. Nem falamos em regiões geográficas. Se pensarmos nas cinco regiões clássicas do Brasil (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Leste e Sul) teremos então 45 Brasis diferentes… Mas não quero enveredar por esse caminho para não alimentar a noção nihilista de que “o Brasil é tão complexo que não adianta discutir e nem adiante querer fazer nada.” O Brasil pode ser melhor administrado, sim.

Olhemos para os nove Brasis, então. Os intelectuais afluentes, que representam a elite do País em termos de educação e renda, são apenas 6% da população economicamente ativa. Estamos falando de cerca de 6 milhões de pessoas que ganham mais de R$4.400,00 mensais e têm curso superior completo. Você faz parte da elite e não sabia.

Renda e educação no Brasil em 2012

  59% 29.7% 11.3%  
Mais de 6 SM

R$4.400,00

Ignorantes afluentes

2%

    Educados afluentes

3%

Intelectuais afluentes

6%

 

11%

 

De 3 a 6 SM

Ignorantes remediados

18%

Educados remediados

9%

Intelectuais remediados

3%

 

30%

Até 3 SM

R$2.200,00

Ignorantes proletários

39%

Educados proletários

18%

Intelectuais proletários

2%

 

59%

  Demais (sem sequer o 2º Grau) Secundário completo Superior completo  

O que é importante concluir destes números? Primeiramente, que uma parcela muito pequena da população (cerca de 6% da PEA representam não mais do que 3% da população total, que inclui todos aqueles que não trabalham) constituem a elite intelectual e de renda brasileira. São apenas 3% da população total! É uma parcela muito pequena do País.

Entretanto, como o País é grande (200 milhões de pessoas), essa elite brasileira de 6 milhões é maior do que a PEA da Suécia ou da Dinamarca, por exemplo. Isso leva facilmente a se viver uma ilusão: a de que essa elite é o Brasil.

Isso acontece quando integrantes dessa elite se reúnem para conversar informalmente e discutir “o Brasil.” Que Brasil é esse que discutem, nas redes sociais, em reuniões informais, em quaisquer círculos sociais, sejam virtuais ou presenciais? Facilmente os integrantes dessa elite deixam de perceber que a maioria deles vive numa espécie de “bolha” artificial, distante da dura realidade de 90% da população que ganha menos de R$4.400,00. Em termos relativos (percentuais) esse grupo de 6 milhões de indivíduos é muito pequeno; mas em termos absolutos é um grupo grande o suficiente para caracterizar um mercado de consumo de produtos de luxo, por exemplo, maior do que o respectivo mercado em qualquer país da Escandinávia. O tamanho bruto desse grupo total os leva a pensar (erroneamente) que representam “o Brasil.” Na verdade, representam uma parcela vergonhosamente pequena do Brasil. São apenas um dos nove Brasis.

Em termos político-ideológicos, a maioria desse grupo seriam classificados como sendo de centro e de direita; não todos, vejam bem: os líderes políticos de esquerda fazem parte desse mesmo grupo, pois ganham mais de R$4.400,00 mensais e têm curso superior completo. O irônico, para não dizer trágico, é que esses seis milhões discutem política apaixonadamente e se referem a um Brasil do qual eles não fazem parte em termos de educação e renda. A grande maioria do País é constituída por pessoas que ganham muito pouco e não têm educação. Essas pessoas sequer participam da discussão política; servem de massa de manobra para os pseudo-intelectuais afluentes de direita e esquerda que trocam sopapos virtuais na internet diariamente.

Tanto os líderes de direita como os de esquerda exibem uma arrogância acachapante ao falar de um Brasil muito diferente daquilo que vivem no seu dia-a-dia. Olhem para os nove Brasis de novo e vejam que cerca de 60% da população em idade de trabalhar ganha menos de R$2.200,00; cerca de 60% da população, vista por outro ângulo, não tem nem o secundário completo. Ao cruzar as duas vertentes, temos que quase 40% não têm nem uma coisa nem outra: são ignorantes e proletários.

Quando vejo a multidão que foi às ruas protestar contra o governo no dia 13 de março, a quantidade de pessoas parece impressionante. Todavia, ao ver as coisas em perspectiva, percebo que as pessoas que foram às ruas, infelizmente, estão longe de representar o País. Digo “infelizmente”, porque o Brasil precisa de muito mais gente com consciência política para evitar que se troque um bando de desonestos no governo por outro bando pior ainda.

Não tenho dúvida de que esse governo é incompetente e desonesto, sendo que a sua incompetência é maior ainda do que a sua desonestidade. Ainda bem: pois se fossem mais competentes, estariam nos enganando melhor e isso seria pior para o País. Não se teria progredido tanto nos processos judiciais contra a corrupção, não fosse tão grande a incompetência desses corruptos. Entretanto, o Brasil precisa de muito mais do que simplesmente uma troca de Presidente.

Qual é o desafio da elite brasileira?

É tomar consciência dos nove Brasis, para começo de conversa; e mudar essas proporções, distribuindo renda e educação. Isso não deve ser feito de forma assistencialista, paternalista, marxista ou capitalista. Precisamos apenas de bom senso e honestidade. Isso significa valorizar mais a educação, remunerando muito melhor aos professores e educando-os também, muito melhor. Significa, ainda, reformar nossa estrutura tributária para torna-la mais simples, mais eficiente, mais justa e mais fácil de administrar. A elite deve pagar mais impostos, sim. Valerá a pena, para ter uma sociedade mais justa e mais segura para todos. Não precisamos nos tornar uma nova Suécia; basta apenas nos tornarmos um pouco mais honestos e eficientes do que somos hoje. Isso não é tão difícil; e é o mínimo que podemos fazer para os nossos netos.

Arguably, all state-managed pension funds in the world are broke, from America to Zambia. The reasons may be different: typically, there is some degree of corruption involved (funds syphoned for personal gain) and some degree of mismanagement (funds diverted for political purposes to destinations that did not provide sufficient return). There is also some degree of plain incompetence, investing funds in securities that went bad.IMG_0164

Regardless of the reasons, the fact remains that official pension funds are broke because they are practically always “defined benefit” funds. That is, they promise to pay out a previously defined benefit (a fixed amount, or a percentage of salary) while the returns from the moneys invested are not sufficient to afford that promise.

Many private pension funds have suffered from similar problems in the past 30 years, but private funds have found a way out: most of them have converted themselves into “defined contribution” plans. These plans do not promise a fixed amount or a percentage of salary; their promise is simply “whatever the result of your investment will be when you reach retirement age.” In theory, the amount of the benefit might be bigger or smaller than a “target” amount, depending on how well the investments are managed throughout the funding period. This might therefore be better or worse than you expected, but in all cases it will be better than having no pension at all because your fund went belly up!

Greece’s pension funds are a particularly prime example of bad management. As the situation stands, they are broke: they do not have the funds to fulfill their promises, and the only way they can pay out the promised benefits is through additional funding made directly by the Greek government, which means indirectly by international creditors (basically European Union taxpayers and EU financial institutions).

So, the creditors want the Greek government to reduce the pensioners’ benefits, present and future. The Greek government does not want to do that, because if they do it, they will be kicked out of office (to say the least).

Greece is just a glaring instance; basically, all countries are facing similar problems, to a less visible degree. Governments should follow the examples of many private fund situations (I was personally involved in addressing three such instances successfully).

It’s not rocket science. What needs to be done (we’ve done it successfully, I repeat, on three occasions) is to create a new defined contribution plan that will simply be bankruptcy-proof, and offer people the option to move to the new plan. The implementation of such a strategy is not just a walk in the park, but it works. The new plan has to be attractive enough that people will choose for it; it needs to be perceived as solid and providing enough of an upside that will cause people to embrace it. This is not as difficult as it sounds, if the alternative is to remain in an old plan that threatens to pay out much less (if at all). Just providing people with an alternative to bankruptcy may be advantageous enough. Providing people with choices regarding the portfolio that the new fund will be investing in is also a plus: typically, individuals can choose for more aggressive or more conservative portfolios. This gives people a greater sense of responsibility for the eventual outcome, rather than just blaming the government. Every year people are given the opportunity to continue with their choice of portfolio or to change it. Millions of people are already doing that in private funds in different countries. State-managed funds should follow their lead.

Of course, there will be criticism dished out generously; but the sooner the issues are tackled, the better. Most governments worldwide are simply postponing the problem, or dealing with it with “half-measures” like extending the minimum retirement age from 65 to 70 or 75. This does not really solve the problem; it is just a delaying tactic.

It does take guts to face the crowds and tell them the truth: that the pension funds are broke. And it takes creativity to design a new pension plan that will be solid and provide certain advantages over the old, bankrupt ones. To my knowledge, only Chile has shown previously this combination of creativity and courage. I’m sure there must be many people in Chile who might be critical of their system today (you can never please everybody), but I believe they are better off than most other countries in the world. If there are issues with the Chilean strategy, Greece and other countries might learn from that and do it even better. Delaying the problem will not help to resolve it; things will end badly, like in a Greek tragedy.

Competency models, most of the time, are very culturally biased and can easily be dysfunctional.

You need to exercise a lot of critical thinking when assessing these lists; you will find that most of them fail miserably when submitted to critical questioning.

What you really want is a list of competencies that will be USEFUL to describe a leader’s behavior (or an aspiring leader’s behavior). Regarding every list, you need to ask:

  1. is this list complete enough? What items are missing?
  2. are the items truly distinct from each other? Which items might be redundant?
  3. Which items are culturally biased? How can we mitigate the bias?

Lists that are based on research tend to be culturally biased for two main reasons:

  1. doing research to come up with a list is an Anglo-Saxon culture bias, to begin with… In other cultures people might come up with concept-based lists rather than survey-based ones;
  2. all surveys depend on the survey sample: if your research was conducted in California, it will have a California culture bias; and so on.

It all boils down to describing what does a good leader DO… And to describe that objectively, completely, and with minimum bias. Easier said than done.

Edgar Schein, who I admire for his pragmatic wisdom, has said that what managers do, in essence, is what I translate in my own words as ANALYZE, DECIDE and MOBILISE. You may argue that a leader does things differently from a manager; I contend that, in practice, you need people who can both lead AND manage; or else, you get in trouble. I would say that what a leader does is VISUALIZE, HARMONIZE and INSPIRE. So the USEFUL competency list probably needs to include all six aspects, in some shape or form.

When scrutinizing your tentative lists for quality, ask yourself if they cater to these six aspects above, or do you need to add an item or two to the list. And are some items actually expressing the same thing? It might be useful to branch out the list in terms of items and sub-items: the “root” items can be kept to a minimum; the sub-items might add depth and nuances.

I’ve developed my own roadmap to leadership, which I have called “4-3-2-1 Leadership”. In summary, it means:

  1. being aware that people have four dimensions: rational, emotional, spiritual and physical; and that there is no hierarchy among these;
  2. seeking three “destinations” or qualities that an effective leader has: (1) the notion that “we are in this together”; (2) the ability to say “this is my vision”; and (3) honesty with oneself and with others;
  3. self-awareness in terms of seeking the response to two fundamental questions: who are you and what do you want?
  4. the willingness to go on the journey to become a leader; it is an on-going, never ending learning process, and you need to really want to engage in it.

I need to add that in order to say “this is my vision”, you need three things (or “sub-things”…): (1) a vision; (2) the courage to speak up; and (3) the communication skills to articulate your vision in an engaging way. Without these three competencies you are not a leader.

Most lists that I have come across fail the test of completeness: they miss some of the six aspects I first mentioned, and some of the “4-3-2-1” aspects. If I had to pick among the lists I’ve seen lately, I would choose one, by Global Leadership Architect, but with a couple of additions and one or two amendments.

  • Ethics/Values/Integrity and Trust
  • Rational analysis
  • Empathy/Customer Focus (ability to understand others)
  • Awareness of physical/mental links (in self and in others)
  • Vision communication/Directing others
  • Self-confidence/Drive for Results
  • Problem Solving/Priority Setting/Decision Quality (to bear the emotional consequences of your decisions)
  • Building Effective Teams
  • Self-awareness
  • Will to learn/change

What does your list look like?

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